domingo, 8 de janeiro de 2012

Para você

eu sei. não é nenhuma data especial ou algo assim. bom, especial sim. são sempre especiais os dias que passo com você. mas acho que entendeu o que eu quis dizer, então vou usar a mesma denominação de antes. não é nenhuma data especial, só me deu vontade de vir aqui conversar um pouco. e saudade, muita saudade. apesar de termos conversado bastante por mensagens, ou pelo telefone, o dia se arrastou sem você. e eu fico preocupada com você aí, longe. não quero que fique triste, nem entediado. ouviu? sei que as opções são escassas, mas quero você feliz. o tempo todo.
estou aqui ouvindo "Sampa", na voz do Caetano, no CD que você me deu. lembrei que você ainda quer ir lá, cruzar a Ipiranga com a São João, só pra ver se alguma coisa acontece no seu coração. me leva? eu também quero ver... se bem que algo já aconteceu no meu coração, bem longe dali, dentro de um café, há mais ou menos três meses. só queria que soubesse.
acho que agora vou dormir. espero que se cuide e que não tenha receio de me procurar se precisar de alguma coisa. ou se não precisar também. ou só se sentir saudade. ok, eu estou sento chata. posso terminar com uma letra de música? deixa? então, vou terminar mesmo assim: "você me faz feliz, esta canção é só pra dizer, e diz". eu te amo. não se esqueça.... um beijo s2

domingo, 18 de dezembro de 2011

Transparente

Era tão estranho que, apesar do frio cortante que já durava dias, o lago ainda não estivesse congelado. As crianças que brincavam ali perto colocavam suas pequenas mãozinhas em suas águas e se espantavam: ele ainda estava quente e cristalino, como no verão. Dias de temperaturas negativas se passaram, e ele continuava aquecido. Porém, um dia, quando o caminhão veio buscar a mudança da família que lhe era vizinha, suas águas começaram a cristalizar. “Impossível”, pensavam, “deve ser algum tipo de magia”. E o lago já possuía mais de um metro de gelo em sua superfície, lisa como um vidro. No dia seguinte, outra família chegou e uma menina vinha todos os dias patinar sobre ele, apesar dos avisos de que era “encantado”. À noite, curiosa, sentou-se na borda do lago e, sentindo a luz da lua cheia iluminar sua face, perguntou-lhe: “por que congelou tão rápido?”. Após alguns segundos, o lago lhe respondeu: “Apenas gosto de companhia. Eu sabia que o menino que morava aqui antes gostava de nadar, então eu me aqueci. Sabendo que você gosta de patinar, eu me rendi ao frio e congelei.”

domingo, 3 de abril de 2011

Inspiração

"Ser escritor é conhecer a dor e a delícia de possuir o eterno compromisso com uma folha em branco". Não me recordo quem disse essa frase, mas é verdadeira. Ser escritor é exatamente isso, conhecer tanto a dor — quando a inspiração se esconde lá no fundo de você —, quanto a delícia, aquela sensação boa de ver a folha, antes em branco, repleta de palavras.
Há uma coisa que me incomoda profundamente dessa tal de inspiração. Personificada, imagino que seria como uma criança bem mimada, querendo as coisas nas horas mais inoportunas. Só me brinda com sua presença quando não posso lhe atender, puxar um papel e, com a caneta na mão, deixar a mente vagar. Por que raios nunca tem um papel perto de mim nessas horas? E minha criança chora, grita, pede por atenção, até que se cansa e adormece, lá no fundo. E quem disse que acorda quando eu chamo?
Chego em casa, sento-me e, frustrada, encaro a folha em branco. Decido (tentar) dormir. Horas sem pensar em nada coerente. Enfim, quando o sono bate, Inspiração acorda. Começo a imaginar:
É um pátio muito bonito, cercado por colunas. O piso e as paredes são brancos e há alguns bancos escuros espalhados. Minha personagem favorita está sentada em um deles, com vários livros no colo e rodeada de amigas. Sente-se bem ali, sorri abertamente. Que lugar é aquele? Inspiração responde que é uma escola, e dá nome a todas as pessoas que rodeiam minha personagem.
Eis que o sorriso dela some, para depois se abrir de novo, tímido. Seu olhar acompanha um novato que anda sozinho pelo pátio, o cabelo raspado, a mochilas nas costas. Corresponde o sorriso dela do mesmo jeito. Aproxima-se, hesitante. As amigas já perceberam e se perguntam quem é ele, que chega cada vez mais perto. Meu Deus, eu preciso levantar e escrever isso.
Vou até o escritório vendo-os em minha mente. Ele se senta ao lado dela e a abraça. Puxa seu rosto com delicadeza e... Inspiração, acorde já, sua birrenta, eu acabei de me sentar!

quinta-feira, 10 de março de 2011

A USP

Não sou muito boa com relatos, mas... Esse aqui sai do coração, não da mente.
Foi um dia engraçado, quando saiu a lista de aprovados. Acho que até hoje, que já ando livremente pelos corredores e converso debaixo das arcadas do páteo, ainda não caiu totalmente minha ficha. Mas acordar com minha mãe gritando "Thaís, você passou, Thaís! Você está na USP!", e logo após ouvir os telefones tocando como loucos, foi uma das melhores sensações do mundo.
No dia da matrícula, deixaram-me assim:

Tinha "luzes" amarelas no cabelo, tinta para todos os lados, imaginem só kkk

Na semana seguinte, começou a "semana de recepção aos calouros" (XIII SEREC). Palestras, apresentação da casa, dos cursos, das carreiras... Todos os veteranos são simpáticos, tratam você muito bem. Sinto até um certo receio de brincar, de puxar intimidade demais sem conhecer direito as pessoas, de tão bem que me sinto ali. No último dia, tivemos um júri simulado. É lindo demais, não? Um caso histórico, do século XIX, se desenvolvendo em todos os seus detalhes ali, bem na sua frente. Demais.
Confesso, fiquei um tanto chateada quando dividiram a turma. Todos os colegas calouros que tinha conhecido ficaram em outras salas. Hoje, já conheço boa parte da minha sala e não tenho intenções de sair de lá (pois é, vão ter que me aguentar! kkk) O pessoal tem a boa e velha tradição sanfranciscana de ser simpático e de se unir, de cuidar uns dos outros.
Começaram as aulas, enfim. Primeira aula da minha vida: Teoria Geral do Direito Penal. É para se apaixonar mesmo, não?
Depois, a grade foi se desenrolando: Direito Romano,Introdução Ao Estudo do Direito, Teoria Geral do Direito Privado (Civil), Economia Política, Teoria Geral do Estado, Direito Constitucional. Gostei bastante de Romano, EP e TGE. A Aula de DC ainda não assisti, por motivos técnicos =X
Outras curiosidades: as festas da faculdade são ótimas, e muitas; xerox é realmente caro; Restaurante Universitário não mata; é impossível sair sozinha da faculdade quando as aulas terminam, vi a ação dos trombadinhas com meus próprios olhos; a Cidade Universitária é legal, mas é longe pra caramba; a FEA parece um shopping e os 'habitantes' de lá não vão com a nossa cara; a BAISF (Bateria Agravo de Instrumento da São Francisco) tem o pessoal mais legal e animado daquela faculdade; por último, sinto-me exatamente onde queria estar. E talvez seja esse o meu destino. Amém.
Boa noite, pessoal!
Olha só, pensei que isso aqui não mais existisse, mas existe. Quem bom! Vou tentar mantê-lo atualizado, visto que (teoricamente) eu tenho bem mais tempo do que antes. Será?

domingo, 21 de março de 2010

Vício a Mais

– Alguém? – Chamei, mas ninguém era capaz de proferir uma palavra sequer. Sei que no momento não podia ser considerada uma figura comum – cabelos desgrenhados, marcas roxas e profundas nos olhos, de um tom avermelhado, o semblante intenso –, mas não era assim de todo mal. Só o que eu precisava era dormir. – Alguém?

– Oi. – Escutei. Uma voz fraca, fina como de uma criança, vinha de um canto mal iluminado. Aproximei-me. Ela parecia não ter mais do que doze anos e me olhava curiosa.

– Você é viciada em que?

Tentei absorver aquela pergunta. Então era assim que eu me parecia nesse momento? Uma viciada?

– Não, não sou viciada, eu apenas... Fugi de casa, estou cansada de andar a esmo, preciso dormir um pouco.

Sentei-me ao seu lado: ao lado de um anjinho, que era o que ela parecia a uma olhada mais próxima. Cabelos cacheados, olhos azuis como o céu, o vestidinho apenas um pouco sujo do que me pareceu fuligem. O que um anjo fazia num beco escuro como aquele, naquele estado? Ela me ofereceu colo, e me encolhi no chão com a cabeça em suas pequenas perninhas.

– Como não é viciada? – Ela me perguntou, surpresa. – Então é por isso que está triste assim! Não tem um vício, não tem um motivo para ser feliz.

Ela fez sua conclusão como quem tem a certeza de um bom feito. Não parecia fazer sentido... Ou então a palavra não me fazia o mesmo sentido que deveria fazer para ela.

– Então, me diga, você é viciada em que, exatamente? – Ela sorriu, largamente. Correspondi, sorrindo também.

– Isso, você descobriu! Sou viciada em sorrisos, gosto de ver e de fazer as pessoas sorrirem. Por que estava triste assim? Não tem um vício? Ou arrancaram o que você tinha?

Mirei o chão, pensativa. Sim, haviam me arrancado, e tudo o que eu fiz foi fugir, ao invés de lutar; mas eu não me daria por vencida assim tão fácil, não novamente. Eu iria lutar SIM.

– Não, pequeno anjinho, tentaram, mas não conseguiram me arrancar do vício. Só se um dia me tirarem o cérebro. Sou uma viciada em sonhos!

E então ela sorriu novamente, aquele sorriso largo de criança. Compreendeu o que eu dizia.

– Uma viciada em sonhos... E qual o seu sonho mais bonito?

Pensei por alguns instantes, mas não era necessário.

– O sonho de minha mãe, de minha irmã, de meu irmão, de que meu pai volte são e salvo da trincheira. – Admiti, meio pesarosa. – Mas acho que é o único sonho bonito que eu não vou conseguir fazer real, porque só eu acredito nele.

O anjinho pensou, pensou até suas bochechas ficarem rubras de esforço. Mandou-me voltar para casa e não brigar mais com ninguém que me dissesse que eu era mentirosa, que ele não ia voltar. E, mesmo calada, eu continuava acreditando.

Uma semana se passou do ocorrido, até que eu ouvi o barulho dos passos arrastados que eu tanto amava, a mão morena abrindo vagarosamente o portão. Antes de abraçá-lo, dei meu sorriso mais bonito, o combustível que o anjinho precisava para voltar para sua casa nas nuvens.

"Morfeu"logia

Cada pessoa tem uma rotina diferente e uma determinada quantidade de horas de sono que precisa por noite, para se sentir disposto. Napoleão Bonaparte se satisfazia com apenas quatro horas, já Einstein não era ninguém no dia seguinte se não dormisse dez horas sem parar. Mas em uma coisa todo mundo chega um acordo: gente que não dorme fica chata, insuportável mesmo.

Conheci certa vez um garoto que estava sempre carrancudo, mal humorado e era o mais lento para entender as explicações. Tinha alguns amigos, mas eram poucos.

Um dia, em um sábado à tarde, creio eu, encontrei-o em um café, estudando. Na hora, não consegui entender bem o porquê, mas ele parecia... Calmo. Chegou a sorrir quando me viu e eu nunca o tinha visto fazer isso.

— Nossa, você me parece tão bem, tão alegre... O que aconteceu, hein? Viu o passarinho verde? — Perguntei. Ele riu.

— Não, não, eu apenas me sinto melhor que o normal. Ontem, eu dormi na casa de uma tia e parece que hoje tudo rende... Falando em render, vamos estudar? Tenho algumas dúvidas.

Começamos a estudar e ele em nada se parecia com aquele garoto lerdinho da sala de aula. O tempo voou.

— Infelizmente, eu tenho que ir. Mas, conta, o que você tomou na casa da sua tia para ficar assim?

— Nada, só dormi mais cedo. Minha casa é muito barulhenta à noite: meu pai é músico; minha mãe, escritora, ambos adeptos à “força criativa da lua”. — Disse, num leve deboche. — Acabo conseguindo cochilar quando já está quase amanhecendo.

Saí de lá preocupada com ele, havíamos descoberto o problema, só faltava a solução.

Na semana de recesso que seguiu o episódio no café, acabei me esquecendo do ocorrido. Na segunda-feira, quando o vi no colégio novamente, sorrindo, rodeado de gente, surpreendi-me, sabia que algo tinha mudado e para melhor. Ele veio até mim e sorriu.

— Obrigado pela conversa. Mudei-me para a casa da minha tia.

E apenas três meses depois, conseguiu a vaga na Medicina, tão sonhada, desde o primeiro dos cinco anos de cursinho.